É tão difícil compreender as emoções quando se rompe uma relação. Às
vezes, temos certeza que tudo passou e de repente tudo volta. Como
definir se o que sentimos é amor ou não é? Se é saudade ou solidão?
Tristeza ou decepção? Posse ou desejo? Perda. Quando se perde um grande
amor, muitas dúvidas emergem sob o fundo do sofrimento. Para alguns é um
momento de intenso crescimento. Muito se pode aprender, uma
aprendizagem que nos faz humildes diante da própria fragilidade.
Deparamos-nos com o que é a dor, a impotência diante dos sentimentos, a
paciência necessária para esperar passar, pois a dor de amor não passa
na velocidade da net, do gigas, dos chips, e o tempo que isso leva é
indeterminado, é pessoal e singular. Aceitar os altos e baixos, os
enganos, os tropeços, as dúvidas, a falta de controle. Aceitar a não
certeza, o não acesso ao que o outro sente e pensa, a incoerência do
humano, a fraqueza, o medo, a culpa, o erro que não tem concerto, a
marca da mentira e o que fazer com tudo isso? O tempo não volta e as
coisas não se apagam, por amor que tentamos, mas nada vai permanecer do
jeito que está. A incerteza do futuro corrói, o medo do que virá, a
ansiedade pelo novo e desconhecido, a prisão do passado, do familiar,
que falta faz, será abstinência? Temos sim abstinência do outro a quem
amamos e perdemos, somos forçados a esquecer quando ainda, ainda não
estávamos preparados. O choro que insiste em voltar, a vida que segue, e
o tempo que insiste em passar, a confusão que não consegue chegar ao
fim, tempos distintos, tempos diversos, tempo de cada um. Amor perdido,
amor doído, amor esquecido, quando? Quando você está preparado para
correr o risco de passar por tudo isso de novo e lembrar da abundância
de felicidade num coração que ama, e é também amado...

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